TRECHOS DE ALGUNS CAPÍTULOS.
REUNIÃO NA BASE-TORRE
O grupo caminha por alguns segundos pelo corredor, e por fim adentra o salão de reuniões, que está repleto de participantes, todos sentados em volta de uma grande mesa tecnológica. A impressão dos majores é de que aquele ambiente respira vida. Há centenas de pontos luminosos, gráficos e holografias sendo aplicados em toda sua extensão, graças à ajuda do Sistema Neuro Operativo (SNO), que organiza e orienta os equipamentos com precisão e rapidez lógica, tornando prático o evento.
O comandante é saudado pelos presentes.
- Senhores chefes de setores, boa tarde. Como líder desta base-torre, declaro aberta a sessão.
Todos os presentes fazem uma reverência ao comandante, se levantando de seus lugares.
Bem, senhores, em primeiro lugar gostaria que conhecessem nossos melhores oficiais aqui da torre. Este jovem é o major Vitã!
Ouve-se aplausos e saudações.
- ...E a jovem à direita é a major Helena, a nova oficial de minha equipe, que tem um grande potencial.
Os participantes a cumprimentam e ela agradece com sorrisos.
- Senhores, por favor, há duas vagas ali naquele lado direito - indica o comandante para o casal de majores, mostrando os assentos em volta da mesa.
Comandante Lemos senta à cabeceira da mesa tecnológica e se acomoda.
Helena, sem opção, se instala ao lado de Vitã, que tenta encará-la.
- Vamos começar, senhores. Por favor, exponham seus trabalhos.
Um cientista se levanta.
- Comandante, meus relatórios já estão inseridos no neuroprograma, e há vários detalhes interessantes que gostaria de mostrar ao senhor, incluindo recentes pesquisas.
- Certo, Renan. SNO, apresente os relatórios do centro de Biotecnologia - ordena Lemos.
Prontamente, o programa de inteligência artificial expõe os documentos por meio de desenhos tridimensionais, sobre uma grande tela projetada que se forma no ar, em meio aos participantes. As figuras são representações de moléculas, gráficos matemáticos e vários dados técnicos.
- O Centro de Biotecnologia finalizou nestes últimos meses três novos tipos de remédios. O chefe do setor quer pedir permissão para a aprovação e a comercialização destes produtos - relata o neuroprograma, com fria voz sintetizada.
- SNO, gostaria de saber mais detalhes da matéria – solicita o comandante.
O neuroprograma carrega mais arquivos de imagem na tela. Os artigos em questão são mostrados aos participantes.
- Senhor, o primeiro é um poderoso anestésico, gerado a partir de substâncias venenosas de um novo cogumelo, encontrado em pequenas grutas escondidas aqui da Amazônia, perto da reserva de Uriruarama. Este novo anestésico é semelhante ao nosso medicamento A36, porém, sem os seus efeitos colaterais - prossegue SNO.
A imagem da planta e sua estrutura molecular giram no grande écran.
- O anestésico A36 salvou várias vidas em cirurgias perigosas, apesar de ainda produzir pequenos efeitos colaterais em alguns pacientes . Com a produção do novo anestésico, o A36 poderá ser deixado de lado. Os usuários terão menos sofrimento com a substituição.
- Maravilhoso! SNO, repasse os detalhes desse novo produto para o diretório dos participantes – instrui o comandante.
- Sim, senhor. Passando agora.
- Vamos ao próximo produto, SNO.
- Senhor, o segundo é um medicamento que foi produzido a partir da substância extraída das folhas de uma planta carnívora, encontrada após três anos de investigações, por nossos pesquisadores. Esta planta possui uma poderosa essência com propriedades de regenerar completamente as células danificadas do pulmão. Com isso, será possível tratar melhor os pacientes com bronquite, tuberculose, enfizema pulmonar e alguns tipos de tumores no pulmão.
Os gráficos sobre a composição dos remédios continuam a flutuar sucessivamente pelo salão. Começa o burburinho : os participantes estão empolgados com as descobertas e começam a debatê-as; e o chefe da Biotecnologia se mostra contente com os resultados e com a forma pela qual o neuroprograma expõe a matéria.
- O terceiro medicamento descoberto pelas linhas de pesquisas é um poderoso antidepressivo. Ele atua rapidamente no sistema neurológico, solucionando com incrível eficiência os problemas de esquizofrenia e paranóia.
SNO mostra casos de pacientes com problemas mentais e explica como foram tratados com a ajuda dos novos remédios. Os participantes ficam surpresos quando vêem imagens de pessoas curadas.
- Senhores, esta substância foi encontrada em um peixe raro nos rios da região do Pico da Neblina, aqui na Amazônia.
A descrição e a demonstração dos produtos na realidade virtual causam forte impacto em Helena e Vitã. Mais alguns minutos se passam e o chefe da equipe de Biotecnologia é ovacionado por todos. Através de acenos gentis, ele agradece.
- Comandante, seria muito importante agora saber.... quando esse os novos medicamentos serão industrializados?
- Bem, como todos nós sabemos, o presidente e sua equipe de ministros já oficializaram 705 dos 800 remédios produzidos aqui na Amazônia. É só uma questão de tempo para que eles aprovem com cuidado estas novas substâncias.
- Por fim, senhor, gostaria que se manifestasse sobre o teor de nossas recentes pesquisas.
- O Dr. Willian e eu ficamos preocupados com este último remédio...o antidepressivo. – Diz Lemos
- Por que, senhor?
- Não sei ao certo... esse medicamento talvez leve mais tempo para ser aprovado. Como nós sabemos, estas fórmulas que mexem com o sistema nervoso podem ser adaptadas a novas drogas...
- Entendo, comandante.
- Eu farei o possível para que o Conselho libere a aprovação, certo?
- Certo, senhor. Obrigado.
O chefe da Biotecnologia volta a seu lugar e o chefe de Finanças da base pede a palavra.
- Comandante, eu gostaria de apresentar as cifras já alcançadas com a venda destes medicamentos em todo o globo.
- Pois não, Carlos.
- Obrigado. Bem, senhores, como todos vocês devem saber, nossos produtos farmacêuticos extraídos aqui da Amazônia têm sido bem aceitos no mundo, gerando bons resultados em todos os níveis. Tenho a grata satisfação de anunciar que, neste ano, conseguimos arrecadar um considerável montante financeiro.
- Já que mencionou este assunto, Carlos, revele para nós o valor arrecadado – adiantou Lemos.
- Detalhe: eu também repassei esses dados para o sistema neuro-operativo. Posso ativá-los, comandante?
- Sim, fique à vontade.
Diante das projeções, o chefe de finanças, usando uma luva paramétrica, ainda de pé, levanta o braço e reformula os gráficos à sua frente. Todos observam cuidadosamente a demonstração.
- Senhores...Comandante Lemos... Sem margem de erros, eu posso afirmar que todos os medicamentos elaborados estão gerando anualmente US$ 908 bilhões em todo o globo, sendo a maior parte deste total em razão dos novos fármacos.
Os participantes comemoram com palmas e ficam maravilhados com os resultados obtidos.
- Eu entendo a felicidade que estão sentindo, porém, quero dizer que não é apenas o dinheiro que importa. Devemos ficar felizes também por estarmos salvando vidas e prestando ajuda a muitos de nossos irmãos no planeta - intervém Lemos.
Subitamente, um cientista se levanta, visivelmente empolgado.
- Senhor, creio que esteja a par de minhas novas descobertas. Gostaria de compartilhá-las com todos aqui presentes. Esta idéia poderá expandir ainda mais a área de medicamentos.
O comandante fica surpreso com a presença do pesquisador.
- Ivan, estamos em uma reunião democrática. Por favor, exponha suas idéias.
- Bom... Eu sei que as leis aqui na Amazônia são rigorosas e proíbe os transgênicos, mas se pudéssemos combinar plantas medicinais já existentes, umas com as outras, daríamos origem a novas plantas com poderosos princípios ativos e poderíamos gerar novos e poderosos medicamentos. Com isso, abriríamos uma gama bem maior de possibilidades.
O semblante de Lemos se transforma. Perde o sorriso para uma expressão de aborrecimento.
- Senhor Ivan, como todos nós sabemos, os transgênicos da classe 3 não apresentam tantos efeitos colaterais como os seus antecessores, mas ainda provocam mutações nos insetos polinizadores. É por isso que eles estão proibidos aqui.
- Sei perfeitamente, senhor Lemos, mas é apenas uma experiência que eu gostaria de desenvolver. O teste seria plausível?
- Ivan, sinceramente confesso que, por mim, não daria andamento a esse perigoso projeto, mas como a decisão não depende só de mim, conversarei com o presidente sobre uma possível solução, talvez a médio prazo.
- Comandante, isto será muito importante para nossas linhas de pesquisa.
Lemos fica pensativo.
- Verei o que posso fazer. SNO, prossiga com a reunião... – ordena, um pouco nervoso.
- Senhor, tenho documentos do Centro de Robótica.
O chefe de equipe do setor acena para o comandante. Se levanta e cumprimenta a todos.
- Por favor, senhor Clayton.
- Bem, eu enviei meus relatórios ontem para o neuroprograma e também prefiro comentar sobre eles pessoalmente, se o senhor não se importar.
- Não me importo, fique à vontade.
- Obrigado, comandante. O que eu gostaria de demonstrar ao senhores é o seguinte: o nosso setor está adaptando novos mecanismos aos reflorestadores e, se forem aprovadas as reformas, eles terão maior autonomia e serão capazes de fazer novos tipos de pesquisas em campo. Por favor, vejam as imagens.
Com luvas paramétricas, o engenheiro clica em ícones flutuantes à sua frente, e a tela projetada mostra imagens feitas na Floresta Amazônica. Todos observam os robôs em fileiras, plantando mudas de árvores diversas. Os aracnídeos mecânicos se posicionam um ao lado do outro, formando um imenso batalhão entre o deserto e a zona florestal.
- Cada robô reflorestador usa níveis variados de informação botânica. Eles são capazes de plantar e cuidar de mudas em diferentes regiões. Só este ano, mais de dez por cento da área desértica da Amazônia recebeu novas mudas de árvores da grande floresta. Se o ritmo continuar assim, daqui alguns anos, teremos toda a floresta replantada com suas árvores originais.
Major Helena fica boquiaberta quando vê as imagens. Major Vitã coça o queixo, sorrindo. Os participantes dialogam e trocam idéias.
- Clayton, eu sei que estes Robôs já travaram antigos combates e vejo que estão bem adaptados para estas novas tarefas.
- Realmente, comandante. Eles são incríveis em suas funções. Cada reflorestador tem dentro de si o programa de inteligência artificial voltado para a Botânica, e em seu banco de dados há informações de todos os tipos de espécies vegetais da Amazônia. Eles também são equipados com sensores que se comunicam remotamente entre si e com os satélites climáticos meteorológicos. Todos possuem autonomia e efetuam, com eficiência, análises do solo, que ajudam a decidir qual a melhor muda a ser plantada no momento certo.
- Poxa, não sabia que eram tão sofisticados! – repara Helena.
- E fazem mais coisas, major. Aplicam a semente no solo e injetam nutrientes. Captam a umidade do ar, que se transforma em gotículas de água para regar as mudas. Quando o clima se torna ameaçador para as plantas, mantém pequenas estufas dentro de seus corpos, que protegem as mudas da variação climática entre o deserto e a floresta – arremata Clayton.
Helena fica deslumbrada.
- É interessante notar que as armas de guerra do passado agora estão nos ajudando – assinala Vitã.
- E estão mesmo, major. Essas armas antigas foram a melhor adaptação que já fizemos aqui na base. E graças ao neuroprograma, o SNO reformulou toda a inteligência artificial desses equipamentos - comenta Hiram, a seu lado
- Estamos muito satisfeitos com os resultados. Obrigado a todos – finaliza o engenheiro Clayton, se afastando da grande tela.
- SNO, mais alguma novidade relevante ?
- Não, comandante.
- Bem, senhores, o tempo está se esgotando. Creio que os principais pontos de nossa reunião já tenham sido expostos. Terei de resolver alguns problemas sérios daqui a pouco – observa o comandante, olhando para seu relógio de pulso - Gostaria que o SNO resumisse para nós os próximos documentos, se os senhores concordarem, é claro.
Todos chegam a um consenso pela aprovação da proposta.
- Então, SNO, nos dê o resumo dos trabalhos de todos os nossos setores executados por nossa base este mês.
O programa inteligente organiza, dentro da realidade virtual, dezenas de pequenas telas contendo relatórios dos mais variados setores, e começa a mostrar o resumo por data.
- Senhores participantes, no começo deste mês nosso centro de vigilância territorial identificou áreas ocupadas ilicitamente. As tropas especiais entraram em ação, destruindo pequenos abrigos dentro da floresta. Os nossos centros de prevenção erradicaram focos de doenças em algumas tribos. No dia 17 descobrimos pequenas áreas dentro da floresta para o refino de drogas transgênicas. Estes laboratórios foram localizados em abrigos subterrâneos de narcotraficantes. Na ocasião, houve confronto com produtores clandestinos e algumas vidas se perderam...
À medida que S.N.O. expõe, muitas imagens surgem flutuando à frente dos presentes.
- ...no dia 28 recebemos o relatório de que uma de nossas embarcações, o Ecoplan 32-A, foi afundado por um grupo armado de biopiratas. Enviamos tropas de fronteira para aquela região e os derrotamos. Mais uma vez, houve baixas significativas. Ontem, dia 29, o General Vespasiano das tropas especiais de fronteira, da base de Japurá, pediu reforços. Foram enviados oito oficiais de elite com seus caças para operações especiais naquele local. Comandante e senhores participantes, estes foram os resumos dos ítens do relatório. Sem mais informações para o momento.
- Senhores, como vimos, a nossa luta diária está rendendo bons frutos. Alguns detalhes que foram aqui discutidos serão armazenados em suas pastas. Gostaria de agradecer mais uma vez a cada chefe de setor aqui presente e, para qualquer pergunta, me procurem. Declaro encerrada a reunião mensal...
TRIBO EM CHAMAS
O céu escuro e ameaçador fica para trás, junto ao temporal. A aeronave se desvia corretamente daquela tempestade tropical. Helena, em seu posto, acaba de receber informações do Centro de Biotecnologia e observa Vitã adormecido. O vôo prossegue. SIB acabava de sair da coluna de chuva, quando avista algo e alerta a major.
- O que houve?
- Major Helena, meus sensores captaram um grande foco de fumaça saindo da floresta, a poucas milhas daqui, na tribo Miranha.
- Ah, não! Mais um problema! – reclama, já acordando o major, que abre os olhos, sonolento.
- O que houve, Helena? Já chegamos? – pergunta, ainda embriagado de sono e coçando a cabeça.
- Não...Estamos perto. Desculpe te acordar, mas é que surgiu um novo imprevisto.
- Qual o problema desta vez?
- O sistema da aeronave detectou fumaça saindo da reserva indígena de Miratu, a algumas milhas à frente.
- Na tribo Miranha?- pergunta, tentando se recompor.
- Sim, isso mesmo.
Vitã fica preocupado com o novo alerta e coloca o capacete.
- Não temos escolha, Helena. Teremos de averiguar. Quero saber se estão todos bem.
- Certo. SIB, nos leve para cima do foco da fumaça.
- Ordem recebida, senhor. Mudando a rota.
A reluzente máquina dá um mergulho espetacular, voando em direção ao incidente.
- Helena, como foi o contato com o chefe de Biotecnologia. Ele já passou dados?
- Acabei de receber informações. Você não vai acreditar no que eles descobriram...
- Me fale!
Helena inicia o relato, para a surpresa de Vitã, que fica espantado. A nave se aproxima do incêndio.
- Quer dizer então que algum maluco descobriu como misturar as raças...
- É, Vitã. Alguns cientistas, não satisfeitos em criar apenas transgênicos de vegetais, estão gerando novas formas de vida, utilizando genes humanos.
A aeronave chega finalmente a seu destino. Os oficiais avistam a enorme muralha de fumaça.
- Meu Deus! Helena, Realmente a fumaça vem da tribo!
- Tem razão, major. As coordenadas confirmam. Tribo Miranha – conclui, analisando os gráficos e dados que giram em uma pequena tela projetada à sua frente.
- Melhor avisarmos o comando, major.
- Espere! O importante agora é checar o local! Não temos muito tempo. Há vidas em jogo lá embaixo!
- Correto.
- SIB, pouse no terreiro da tribo e acione o modo de vigilância. Vamos descer!
A nave se aproxima do local, dando um rápido giro. Expõe suas armas de defesa e, diminuindo a velocidade, atravessa a densa cortina de fumaça. Por fim, pousa verticalmente na aldeia destruída. Os oficiais desembarcam armados.
O cenário é desolador: há destruição por toda parte. Malocas pegam fogo e corpos de índios quedam estirados em meio às chamas. O terror impera na terra indígena de Miratu. Gemidos são ouvidos por entre cadáveres carbonizados.
- Meu Deus!!! Como isso foi acontecer??? Por que ninguém nos avisou a tempo? É um pesadelo, não estou acreditando! Meus Deus! – alardeia Vitã, com os nervos à flor da pele.
Armado, caminha cambaleante de um lado para o outro, visivelmente abalado e chutando pedaços de madeira queimada.
- Calma! Fique calmo, major! Como poderemos resolver este problema se você fica descontrolado? Precisamos pensar numa saída!
- Eu sei, Helena, mas é difícil não ficar sensibilizado! Ninguém poderia ter feito isto com este povo! Eu quero descobrir o responsável por essa tragédia!
SIB, flutuando por cima dos oficiais em modo de vigilância, dá um giro considerável em seu eixo e aponta uma de suas armas em determinada posição dentro da floresta, avisando rapidamente os tripulantes sobre uma ocorrência.
Pela viseira eletrônica, Vitã reconhece algumas pessoas naquele quadrante que se aproximam lentamente.
- SIB, retorne à vigilância! Estes humanos são meus amigos – ordena o major.
A aeronave volta à sua posição inicial, rastreando a região. De dentro da mata sai um grupo indefeso: um velho indígena carrega o pequeno curumim em seu colo, e uma anciã os segue, puxando uma outra criança. Vitã percebe que eles estão bastante machucados.
- SIB, hora de aterrissar. Precisaremos de você.
A aeronave baixa seu trem de pouso e desce em sentido vertical no terreiro.
- Trovão da Mata! Trovão da Mata! Grande Trovão da Mata! – exclama a velha índia.
Os habitantes da aldeia ficam felizes em ver o major e o abraçam. O nativo, estarrecido, completamente em estado de choque, e com os olhos arregalados, agarra Vitã e se comunica em português arrastado.
- Mapinguary!!! Mapinguary!!! Mapinguary!!!
- O que ele está falando, Vitã? – indaga Helena, com curiosidade.
- Ele se refere a uma lenda antiga da floresta, sobre um monstro que aterrorizava seus antepassados, que flecha nenhuma podia atravessar e que nenhum guerreiro armado conseguia vencer. Todos aqui conhecem essa história.
- Grande Tupã trazer você, Trovão, para salvar nossa tribo e proteger crianças.
- Fique tranqüilo! Vou ajudar vocês. Quero saber o que aconteceu por aqui. Venha, vamos entrar no pássaro de metal.
- Sim, Trovão! Eu entrar em grande pássaro!
Helena segura o curumim no colo e ampara a índia. Vitã e o nativo vão à frente. Já dentro da nave, os majores começam a prestar os primeiros socorros.
- SIB, movimento ascendente, em modo de vigilância – comanda Vitã.
A nave sobe progressivamente e fica estática sob a tribo, a alguns metros. Os visitantes, curiosos, observam tudo com atenção e um certo temor. O curumim sorri, vendo as luzes do console piscando. A anciã e o homem se acalmam. Helena repara os ferimentos das vítimas do fogo.
- Helena, desculpe interromper seu atendimento, mas veja se há alguma de nossas aeronaves por perto. Por favor, informe à base sobre o ocorrido.
A major conversa com o sistema e, após alguns segundos, localiza a aeronave de sua equipe que estava mais próxima dali.
- Vitã, localizei uma a 180 km daqui, perto do Pico da Neblina. Eles avisaram que estão em missão, mas poderão ajudar, se o comando permitir.
- Então, entre em contato com o comandante e o informe sobre nossa situação, por favor.
Helena ativa o console e a pequena tela de energia e elevada mostrando a figura do comandante.
- Comandante, surgiu um novo imprevisto a caminho de Japurá.
- Me diga o que está acontecendo dessa vez, major.
Helena narra os fatos recentes a Lemos.
- Creio que aconteceu o que eu mais temia: algum grupo resolveu matar os índios. Eles concretizaram o maior de meus pesadelos.
- Entendo, senhor – responde Helena.
- Reunindo estes fatos que você me contou, só posso chegar a uma conclusão.
- Qual, comandante?
- Este Mapinguary a que o índio se refere é um monstro transgênico igual ao que vocês destruíram.
- Pode ser, comandante. Como não pensei nisto antes? Eles introduziram essa criatura aqui por algum motivo.
- Diga a Vitã que converse com os índios para colher mais detalhes. Deixe sua tela ativada. Vou participar do diálogo.
- Sim, senhor – diz Helena se afastando um pouco da tela energética.
- Comandante, muito bom revê-lo - cumprimenta Vitã, prestando continência a imagem de seu superior.
- Major, estava dizendo a sua colega que este suposto Mapinguary que atacou a tribo nada mais é que um transgênico. Preciso que você colha mais informações dos índios para tentarmos solucionar também este novo problema.
- Certo, senhor. Conversarei com eles.
- Pode prosseguir.
Helena, depois de tratar dos índios, leva-os para perto do console e eles tomam um susto com a figura do comandante sendo projetada.
- Calma, calma! Este é meu líder. Ele vai nos ajudar! – tranqüiliza a major.
Vitã solicita ao nativo alguns dados importantes, mas naquele momento ele se mostra muito confuso e apavorado com o ocorrido. A anciã, que estava ao lado de Helena, resolve se pronunciar:
- Grande Trovão, eu te falar! Eu vi tudo! Vou falar!
A índia segura o braço de Vitã e o encara firmemente.
- Grande Trovão, dois homens brancos, luas Tuxaua atrás, foram trazidos à nossa tribo para aprender artes de cura. Eles tinham papel com nome de chefe branco e firmaram que era coisa importante pra respeitar. Tuxaua aceitou e brancos ficaram na tribo, né, várias luas, aprendendo arte do pajé. Ficaram amigo dele e colheram plantas e raízes junto pra fazer cura. Brancos aprenderam muito e começaram a andar sozinho na mata. Um dia pequeno filho de guerreiro seguiu homem branco e descobriu ovo de brilho de luz. Curumim trouxe ovo para cacique, e cacique quando abriu casca ficou com medo. Saiu fumaça fria do ovo e filhote de macaco morto estava lá dentro. Cacique mandou pegar mais ovo de luz e quando abria saíam coisas feias. Pajé disse que era castigo de espíritos da mata.
- Que coisas feias eram essas?
- Ahhh filho, muito bicho morto, aranha, filhotes de cobra, cabeça de filhote de onça negra, pedaços de cipó e folhas, muitas plantas e insetos. Tuxaua ficou com medo e falou para guerreiros prenderem homens brancos.
- Eles conseguiram?
- Sim. Tentaram se esconder na mata, mas guerreiros acharam eles. Índios viram brancos com coisa pequena... pedra brilhante, né?
- Eu acho que já sei...
- O que será essa pedra brilhante, Helena?
- Talvez um vídeo-fone...não faço idéia.
- Pode ser.
- Cacique mandou amarrar brancos e prender na maloca durante dia, mas logo na noite Mapinguary apareceu, atacou aldeia e espíritos do mal soltar os homens.
- E quando isso aconteceu? – quis saber Vitã.
- Quando era escuro sem lua. Guerreiros lutar contra Mapinguary, mas lança e flecha não furar bicho. Três valentes foram pra mundo de Tupã. Tuxaua usar flecha de fogo e machucar Mapinguary. Guerreiros feridos fazer a mesma coisa e flechas queimar o bicho, queimar, queimar. Espírito ruim fugiu berrando pra dentro da mata!
- Minha nossa, Vitã! Coitada desta gente!
- Helena, vamos escutar com atenção o resto da história. Continue, senhora.
- Coisa estranha aconteceu na tribo. Brancos com arma do mal entraram na aldeia e também lutaram com guerreiros. Mataram quase todos. Era o demônio, demônio encarnado! Tuxaua usar flechas de fogo mas flecha acertar as cabana . Homens do mal com raiva, acharam brancos prisioneiros e soltaram todos. Depois, mataram Tuxaua. Tragédia! Tragédia! Nosso deus pede vingança!!! – suplica a velha índia, começando a chorar.
- Inacreditável!!! Como puderam fazer tamanha barbaridade?? – reage Helena, com expressão de tristeza, amparando a anciã.
- Nós temos de resolver isso, Helena. Eles não podiam ter matado meu amigo Tuxaua, o chefe dessa tribo! – decide Vitã, com firmeza.
A índia, apesar de abalada, continua a relatar:
- Homens presos falaram pra outros levar pajé e curumins com eles e pra dentro da mata. Mapiguary queimado e com fogo nas venta voltou pra tribo e comeu tripa dos guerreiros mortos. A gente escondida na mata quando mirei Mapinguary abrir barriga de guerreiros!
- Que coisa terrível!! Bem que eu reparei nas barrigas deles, todas abertas, meu Deus! – relembra a major.
- E para onde eles foram, senhora? – indaga Vitã.
- Homens com pajé e crianças foram naquela direção! – aponta – Foi isso, Trovão. Eles levaram meu curumim. Eu querer ele de volta!! Trovão, ajuda a gente! Você ter grande força! Ajuda a gente! Quero minha criança de volta! – implora, com os olhos em lágrimas.
Vitã e Helena ficam emocionados. O comandante, que em projeção acompanha tudo, também se mostra bastante sensibilizado:
- Senhores, o problema apresenta um alto nível de gravidade e periculosidade. Eles não poderiam ter feito isto em hipótese alguma. Estes povos e esta floresta são protegidos pela nossa constituição, e tudo está sendo dizimado em nossa própria casa. Isso, com certeza, não vai ficar assim. Vou enviar uma equipe para ajudá-los imediatamente. Temos que detê-los, antes que escapem da floresta com as crianças.
- Comandante, eu mesmo posso resgatá-los. Temos que fazê-lo a tempo, antes que seja tarde. O ataque aconteceu de madrugada e eles vieram por terra.
- Tenho dúvidas, major. Você vai correr um grande perigo sem o auxílio de um pelotão.
- Não se preocupe, senhor. Estou bem equipado e a SIB 41 pode me dar cobertura.
- A escolha é sua, major. Mas volto a repetir: tome cuidado! Mesmo assim, vou enviar uma esquadrilha para apoiar vocês.
- Certo, senhor.
- ...e mantenha o link, major. Estou bastante preocupado.
- Entendido. Fique tranqüilo. Tudo dará certo!
- OK, major. Cuide bem dos índios. Eles já sofreram demais.
- Correto. Vou deixá-los dentro da aeronave.
- Missão aprovada. Que Deus te proteja!
- Obrigado, senhor. Pode contar comigo.
- Me mantenha atualizado.
- Pode deixar
- Desativando comando.- informa sib
Vitã presta continência, vendo a imagem do comandante Lemos se desvanecer.
- Helena, tenho que me preparar para enfrentar estes canalhas.
- Vou com você.
- Não!!! - brada Vitã, nervosamente - Devo ir sozinho dessa vez! Me desculpe por falar assim com você, mas esta missão é muito perigosa e, neste caso, indo sozinho, poderei agir melhor – explica, encarando a major e segurando firme em seu braço.
- Mas...
- Helena, eu quero que você fique aqui cuidando deles! Caso haja algum problema, eu te chamarei! – diz, com os nervos abalados.
Helena, percebendo o estado do major, resolve não discutir.
- Poderemos então ir pelo alto, na retaguarda.
- Eu entendo sua preocupação, Helena. Mas levantar vôo agora poderá atrair a atenção desses criminosos! Melhor eu ir sem a nave.
- Vitã, eles podem estar muito longe a esta hora. Você não deu nenhuma rastreada em suas posições. Como pretende pegá-los?
- Nesse ponto você tem razão, Helena. Vamos usar o bioradar da SIB e tentar localizar a posição deles. Poderia ver isso pra mim enquanto me apronto?
- SIB, ative o bioradar.
- Ordem em processo...
Ao ativar seu rastreador, o neuroprograma expõe imagens sobre o console. Um pequeno cilindro energético começa a mostrar detalhes, através de holografias. Surge um relevo de deserto, onde aparecem milhares de corpos orgânicos de animais. Helena pressiona sua digital em um ícone holográfico flutuante. Os gráficos se reformulam, minimizando as formas animalescas para dar destaque às formas humanas. Ela então vê centenas de índios espalhados pela floresta, no raio de alguns quilômetros. Olhando com mais atenção, observa um grupo de corpos humanos com anatomia diferente dos nativos. Eles estavam se deslocando na mata a 16 km dali. Eram homens altos, sendo um de aparência mais velha, e todos arrastavam consigo crianças indígenas.
- Vitã, consegui localizá-los!
- Ótimo, Helena! Qual a distância?
- Major, eles estão a 16 km daqui, se deslocando rapidamente em direção a um rio.
- Putz! Pensei que estivessem mais perto! Não posso perder tempo! Teremos que voar e correr o risco de sermos localizados.
- E você acha que mesmo com o nosso sistema de antidetecção eles podem nos rastrear?
- É possível, sim. Não sabemos exatamente quais equipamentos eles utilizam.
- Então corremos o risco de sermos alvo de mísseis portáteis.
- É exatamente isso que eu gostaria de evitar. Mas não há outro jeito. Vamos embora. SIB, me deixe a dois quilômetros deles.
A nave levanta vôo, abandonando a tribo destruída. Aciona o mecanismo anti-rastreio e expõe a arma bloqueadora de mísseis. Planando lentamente por cima da copa das árvores, vai de encontro ao grupo inimigo. Seu sistema de pigmentação para camuflagem física funciona corretamente, deixando-a quase invisível.
- Helena, você disse que o grupo está se deslocando em direção a um rio?
- Sim, major.
- Então eles pretendem escapar pela água. Devem ter vindo por terra.
- Creio que sim. Eles devem ter pousado nas proximidades do rio e ido à pé para invadir a tribo, optando pelo elemento surpresa...
- Acho que você tem razão. E o pior é que não há nem sinal do veículo deles. Devem estar usando naves desconhecidas.
- Mas uma coisa está me intrigando...Você me falou que um grupo de humanos está se deslocando para o rio...
- Correto...
- Mas me responda uma coisa Helena...e o suposto Mapinguary? Por onde deve estar essa hora?
Helena deixa transparecer em seu semblante um ar de preocupação.
- É mesmo. Não podemos nos esquecer dessa criatura. Major, acho muito perigoso você explorar essa região sozinho...
- Helena, eu não tenho outra escolha. Eles podem matar os curumins e o pajé. Tenho que ajudá-los, e rápido, antes que seja tarde!
- Tive uma idéia. Podemos usar os dados da ressonância e a figura do transgênico morto para carregar os sensores da SIB. Se esta nova fera tiver a mesma origem orgânica, será fácil localizá-la – informa Helena.
- Senhores, estou próximo aos intrusos. Minha geoposicao em relação a eles é de dois quilômetros. Devo prosseguir? – indaga o sistema.
- SIB, trave diâmetro de dois quilômetros em relação a eles. Permaneça assim. Por favor, Helena, transmita estes dados que você acabou de me passar para o SIB. Preciso descer agora - solicita Vitã, verificando os mecanismos de seu traje eletrônico.
A major o encara e sabe que qualquer tentativa sua para fazê-lo desistir seria inútil, diante da determinação do amigo.
- Major, você terá problemas novamente com o monstro transgênico. Poderá haver um confronto na mata.
- Não se preocupe, Helena. Com os dados do biotipo dele, será fácil localizá-lo e, desta vez, estarei muito bem armado.
- Entendo.
A aeronave repassa uma boa quantidade de energia para o compartimento eletrônico na lateral do assento de Vitã. Os índios observam com os olhos arregalados a luz que saía por entre as frestas do repositório. De súbito, sua pequena tampa de metal se recolhe, fazendo surgir a poderosa arma e seus pequenos pontos luminosos e piscantes, denunciando estar em pleno funcionamento.
- Multifuzil com carga máxima e sistemas de configurações operantes - anuncia um comando vocal.
- Helena, já vou descer. Fique atenta. Estou deixando o meu sistema de comunicação em link. Não me perca de vista. Vou precisar de sua ajuda.
- Vitã, vou deixar a aeronave rastreando seu perímetro.
- Ótimo. Fique a 2 km distante de mim e vamos torcer para que eles não nos vejam.
- OK, amigo. Boa sorte... – deixa esboçar um leve sorriso, ao colocar a mão sobre o ombro do major.
- Obrigado, Helena! – agradece, satisfeito.
Vitã encaixa um fino cabo translúcido em seu traje. A escotilha se abre e o major começa a descer, pendurado pelo resistente acessório . Faz um sinal de OK para a amiga, antes de sair. Após alguns segundos, chega ao solo da floresta, exatamente sobre a trilha deixada pelos inimigos.
- UN2, ative multianalisador.
O écran de seu capacete é acionado, cobrindo seu olhos em ângulo panorâmico. Então, o oficial vê o desenho de formas humanas representando os biopiratas. Os inimigos se deslocam lentamente dentro da floresta, a menos de 2 km dali. O oficial segura o multifuzil com firmeza e começa a correr em direção ao grupo.
- SIB, repasse os dados do monstro transgênico para nosso banco de dados e carregue o biotipo dele no multianalisador de Vitã. Ele vai precisar desta informação – instrui Helena.
- Dados armazenados. Meus sistemas estão classificando e agrupando estes registros no multianalisador do major Vitã.
- Ótimo – Diz ela operando o avançado console
- Os inidios no fundo da nave continuavam espantados.
A floresta estava escurecida e misteriosa naquele ponto. Os poucos raios de sol que a penetravam eram fracos, de uma cor lavada. Um silêncio anormal pairava sob o estranho cenário. O valente major prossegue em sua arriscada missão, correndo de encontro ao adversário. Por muitas vezes, ele afasta galhos e folhas do seu corpo e salta várias raízes durante o percurso irregular. Preocupada, Helena faz contato.
- Major, localizei a criatura! Está a quinhentos metros atrás de você, se deslocando muito rapidamente em sua direção!
- Obrigado, Helena.
Vitã pára e, olhando para trás, orientado pelo écran, sonda a densa floresta. Gráficos expostos denunciam que o ser transgênico se aproxima velozmente.
- Helena, posso ver o maldito monstro! Ele vem em minha direção! Me localizou de alguma forma! – diz Vitã.
- Major, tome cuidado!
- Fique tranqüila, Helena. Vou montar uma armadilha.
O oficial, sem perda de tempo, observando a posição do estranho animal, tem uma idéia:
- Multifuzil, ativar projétil de precisão com disparo silencioso!
A fantástica arma emite um quase imperceptível ruído mecânico e luzes piscantes mudam de cor, a sua volta.
- Projéteis de precisão e disparo silencioso acionados.- informa a arma através do capacete
O major mira, pelo visor, uma bizarra forma em aproximação, representada por desenhos em vários ângulos. O monstro corre cada vez mais. Está agora a duzentos metros da área do oficial. Percebendo a rapidez da fera, Vitã se posiciona de costas em relação à trajetória da criatura, e começa a montar uma armadilha. De olhos arregalados, e com uma ansiedade cruel, o major, devidamente armado, ouve, próximo dali, o barulho de galhos quebrados e uma revoada de pássaros espantados. Subitamente, tudo se torna silencioso. Através do écran, Vitã sabe exatamente a distância da fera. Prestes a finalizar sua armadilha, o oficial pressente que o vulto do monstro está bem perto, pairando no breu da floresta. “Mapinguary”, na tocaia, o sondava.
Sua respiração ameaçadora torna-se audível. Repentinamente, a horrenda figura salta de dentro das trevas para atingir as costas do bom major. Porém, Vitã, sabendo perfeitamente do perigo que corria, utiliza toda sua destreza. Com rapidez espantosa, se vira apontando o multifuzil. Mira o alvo, através de seu visor, e faz um disparo silencioso. O projétil de energia amarelada é lançado com forte impacto, empurrando o major para trás, com violência. O clone transgênico tem seu coração atingido em cheio. A potência do projétil o arremessa para uma zona pantanosa a alguns metros dali. O ataque mortal da besta fracassa.
Vitã, de joelhos, observa ao longe o animal caído. Sua expressão é de espanto. Recuperado do impacto do projétil, se levanta e resolve se aproximar aos poucos da fera tombada. Ao sondar cautelosamente o corpo do animal, com a ajuda do écran, e ainda de arma em punho, descobre que “Mapinguary” está morto. Solta um suspiro de alívio, abaixa o fuzil e recolhe o visor.
- Major, você está bem? Major! Fale comigo! Estou com dificuldades de comunicação! Não consigo imagens! – intervém Helena.
- Estou bem, Helena! Fique calma! Infelizmente tive que matar o monstro. Era ele ou eu neste jogo infeliz.
- Meu sistema acusou interferências. Não pude ver nada. Fico satisfeita que tudo tenha dado certo. Finalmente esta ameaça não existe mais!
- Com certeza, major. Tenho que prosseguir com a operação. Por favor, me informe sobre os acontecimentos. Se houver dificuldades na comunicação, fique tranqüila pois tenho meus rastreadores. Mas a sua ajuda é muito importante!
- Certo, major. Estarei vigiando!
- Perfeito. Até daqui a pouco.
- Boa sorte, Vitã.
- Obrigado, querida.
Ao ouvir as palavras carinhosas de Vitã, Helena fica sem reação e deixa escapar um sorriso tímido.
O major abaixa novamente seu visor e nota, através de gráficos, que os biopiratas faziam uma pausa para a refeição. Vitã, por meio da realidade virtual em seu capacete, percebe que há um pequeno relevo por cima dos inimigos. Ele sabe que, se chegar a tempo naquela área, poderá surpreendê-los. Consultando o sistema, o oficial é informado que sua localização em relação ao grupo é de pouco mais de 500 metros dentro da mata. O major visualiza a trilha à sua frente e, usando as coordenadas, começa a correr, de arma em punho, em direção a seu alvo...

