domingo, 29 de abril de 2007

Amazônia, o Arquivo das Almas


TRECHOS DE ALGUNS CAPÍTULOS.

O segredo das placas de argila.

Seis homens e três mulheres se levantam e cumprimentam a todos à sua volta, através de gestos.
- Senhores aqui presentes, estes são os meus arqueólogos e assiriologistas, grandes conhecedores de línguas mortas e descobridores de objetos sagrados. Trouxe aqui estes especialistas para elucidar a chave desta reunião. Espero que compreendam. Para não me alongar muito nesta apresentação, peço a palavra a Farraj, chefe da equipe dos assiriologistas.
- Senhores, o que quero mostrar a vocês tem a ver com este material. Há exatamente cinco meses, recebemos a informação de que um velho pastor nômade havia encontrado placas de argila com inscrições cuneiformes dentro de uma caverna no monte Zagros. Sem perda de tempo, enviamos para aquela região uma equipe de militares e pesquisadores. Tivemos de ameaçar o velho e sua família para que ele contasse como encontrou as placas e onde as encontrou. O velho nos disse que, para fugir do intenso frio do inverno e para salvar a vida de suas ovelhas, subiu as trilhas do monte Zagros. Após várias horas de escalada, já começando a escurecer, ele conseguiu avistar a entrada de uma inóspita caverna. Levou então seus animais para dentro deste abrigo. Como os animais estavam inquietos, ele improvisou uma tocha com seu cajado. Ao tentar apoiá-la em uma fresta entre as rochas, encontrou uma antiga passagem. Adentrando o local, descobriu as placas. Conforme já relatei, nós o obrigamos a informar a localização exata desta caverna. Fomos ao local com uma equipe de arqueólogos e recolhemos este achado. Temos os vídeos-relatórios. Vejam – relata o pesquisador, ainda gesticulando.
No meio da pista do templo, aparecem as imagens da caverna, que está toda iluminada. Homens vestidos de branco, respirando com máscaras de oxigênio, trabalham recolhendo as placas de argila. Com a ajuda de pequenos braços eletrônicos, retiram cuidadosamente o material envolto em couro envelhecido. Com muita cautela, as garras metálicas colocam as placas em caixas transparentes climatizadas. São centenas delas.
Neste instante, o pesquisador continua seu pronunciamento.
- Senhores, trata-se de uma fantástica descoberta. Nossa equipe, que captou todas essas imagens, conseguiu resgatar mais de quatrocentas placas daquele local.
Os participantes da assembléia ficam alvoroçados com todas as informações. Hansemom permanece calado, prestando o máximo de atenção nos misteriosos relatos. Os oficiais continuam a registrar tudo à sua volta e o imperador permanence tranqüilo, sabendo do que se tratava o assunto.
- Depois de recolhermos as placas, elas foram encaminhadas para estudos criteriosos. Com a ajuda de nossa tecnologia, fizemos a datação, a transcrição e a tradução destas importantes inscrições e conseguimos descobrir algo surpreendente, que deixará a todos surpresos – anuncia o assiriologista. Ele olha para o imperador, que faz sinal para que Farraj dê prosseguimento.
- Depois de vários estudos, descobrimos que as placas pertencem a um período anterior a civilização dos sumérios, a um período inferior a 16.000 A.C.
Todos ficam muito surpresos e agitados com a noticia de Farraj. Um integrante da reunião se levanta eufórico.
- Minha nossa! Isso e fantástico demais! Então essa placa foi feita em um período muito antes do dilúvio!
- Pode ser. Se nos guiarmos pelos relatos sumérios, pode ser – responde Farraj.
- Mas então isso mostra que havia civilizações evoluídas antes mesmo dos sumérios existirem – conclui o curioso.
- Sim, você está certo e as próprias placas mostram isso. Nós encontramos outras inscrições desconhecidas que não existem na língua dos sumérios gravadas em material exotico. Estas novas inscrições trazem uma forma narrativa muito mais estruturada e de fácil compreensão. Confesso que eu e minha equipe nos espantamos com isso. É como se a pessoa que as cunhou pertencesse ao nosso tempo atual.
Neste momento, todos iniciam um ruidoso debate, que toma conta do salão. Nisso, uma rica empresária se manifesta.
- Eu entendo pouco de assiriologia e de línguas mortas, mas estou curiosa mesmo para saber o que dizem estas placas. O que está escrito nelas? Acho melhor respondermos a esta pergunta, antes de discutirmos em que período foram feitas e por quem. Desculpem a minha franqueza, mas acho que seria mais fácil começarmos a compreender este assunto, pois afinal de contas muitos aqui, assim como eu, não dominam certos termos técnicos.
O assiriologista, atento à mulher, demonstra seriedade. Ao tentar consultar o imperador para obter alguma permissão, nota o sorriso do líder, que balança a cabeça em sinal afirmativo.
- Caros senhores, eu e minha equipe, com ajuda de equipamentos de ultima geração, traduzimos estas relíquias textuais e preparamos uma narrativa com linguagem atual, de fácil compreensão. Gostaria de frisar que os diálogos e descrições das placas foram interpretadas de maneira que todos entendam, sem dificuldades, seu conteúdo. Porém, não se espantem se soarem por demais familiares as frases do escriba. Sem mais, peço à Vossa Majestade a permissão para ativar a matéria.
A curiosidade invade o templo. Lugaleshi Sharrukin gesticula para que um dos arqueólogos presentes inicie o evento. Estamires, sem demora, aciona com três toques diferentes os ícones flutuantes. O material a ser exibido começa a tomar forma em um espaço delimitado por cargas magnéticas.
No canto superior direito, uma placa de argila é ampliada. O pesquisador pressiona um ícone representado por gráficos de som. Uma voz fria é disparada, iniciando a narrativa. Marcas vermelhas circulam as inscrições cuneiformes virtuais.
- Eu, Zargal, que sempre vaguei pelas florestas na companhia das feras, tinha a relva como leito e o leite da ursa como mantimento. Com monstros lutei e venci. Sobrevivi a tudo e a todos. Nem as grandes bestas, nem os reis eram páreos para mim. Muitas coisas vi e vivi, mas um dia notei que o maior de todos os inimigos é a tristeza que brota no coração dos homens, capaz de destruir reis e corroer Impérios. Por isso, cunhei a minha vida neste rústico pergaminho, mesmo desobedecendo às ordens divinas. Espero que o deus oculto me perdoe. Fiz em memória de meu grande amigo e meu grande irmão Huresh, o poderoso rei de Kadrash. Escrevi para que todos saibam que ele estava certo em seguir seu ideal. Espero poder lhe encontrar algum dia, meu irmão, esteja onde estiver...



LUTA NA TRIBO (São apenas trechos dos capitulos)

Malocas, ocas, canoas e artefatos de caça e pesca são os instrumentos de sobrevivência dos filhos da terra. Vários apetrechos confeccionados manualmente auxiliam e facilitam suas vidas.

É um povo guerreiro e feliz que, através de seus rituais, agradecem muitas graças alcançadas. Os índios compreendem que tudo em volta é sagrado: a floresta, a lua, as estrelas, o sol e o universo. Por isso, reverenciam a natureza através de cerimônias com profundo significado religioso.

Ao redor do grande terreiro, a tribo reunida está em festa. Alguns índios enfeitados vem e vão soprando uma grande flauta; as índias os seguem por trás, segurando em seus ombros e absortas pelo ritmo ritualístico. Vitã está sentado ao lado de suas amigas e do cacique. O major observa toda aquela interessante movimentação. Ao findar o cerimonial, os indígenas retornam à grande maloca. De dentro dela saem quatro índios extremamente fortes. Seus corpos estão pintados com temas de guerra.

- Vitã, será que eles vão lutar?
- Vão sim, Marisa. Como adivinhou?
- Notei as pinturas. São iguais a algumas que vi num documentário.
- He! He! He! Isso mesmo – sorri, abraçando a amiga.

No meio do terreiro, os dois mais corpulentos índios entram em combate. Cada um segurando o braço do outro, permanecem assim por instantes, medindo suas forças. Inesperadamente, começam a se arrastar de um lado para outro, no chão de terra batida. O mais robusto aplica uma espécie de golpe, forçando a queda do adversário. Seu companheiro de luta logo reage com outro golpe, ainda com mais destreza. Porém, o índio mais forte não se dá por vencido: consegue se levantar e derrubar o amigo. A tribo grita reverenciando o vencedor, mas as vozes são repentinamente bloqueadas pela chegada do verdadeiro campeão invicto. Vendo aquilo tudo, o ganhador da batalha se retira, evitando desafiar este novo e enorme oponente. De súbito, o cacique se levanta e declara em voz alta:

- Quero convocar para combate Grande Trovão da Mata!

Neste momento, Vitã fica atônito e sua amiga o encara com espanto.

- Caramba! Não sei que passeio é este que fui arrumar. Primeiro, tenho que pescar uns filhotes de baleia, e agora vou-te que enfrentar este rolo compressor. O cara vai me transformar em carne moída!
Marisa, mesmo preocupada, acha graça da reação de Vitã.

- Há há, Vitã , mas se você quiser, pode dizer não...A escolha é sua! – diz Marisa, o abraçando.
- É claro.... mas adoro estes índios e não gostaria de desapontá-los. È um convite muito importante para eles.
- E agora, Vitã?
- Vou enfrentar essa! – decide, coçando a cabeça.
- Pode ser perigoso! Tem certeza? – alerta Marisa, preocupada e puxando o braço do amigo.

Nesse momento, a pequena Daniela se agarra à perna de Vitã e ele a puxa para seu colo.

- Bonequinha, eu vou fazer um pouquinho de ginástica com o índio. Daqui a pouco eu volto, tá? – ironizou.
- Tá bom, titio. Eu sei que o senhor vai vencer a luta, eu sei! - afirma Daniela, confortando o bom major.
- Tá vendo? Ela tá por dentro das coisas... sabe direitinho o que acontece aqui.
Marisa ri. O major entrega a garotinha para ela. –
- Meu querido, tenha cuidado...
- Não se preocupe... Eu já lutei muito aqui quando era novo... E não se esqueça que eu treino todos os dias na academia da base torre – comenta, beijando a amiga e sua filha.

O major Vitã vai ao canto do terreiro, e alguns índios saem da grande maloca trazendo tintas naturais, para a pintura do corpo. Vitã retira a roupa, expondo um físico bem definido. A pele do major ganha formas simbólicas. Ele veste uma pequena tanga e os encarregados da preparação envolvem o joelho e antibraço de Vitã com correias de fibra vegetal. Antes de iniciar a luta, o cacique chama seu convidado e diz ao pé do ouvido:

- Não esquecer, Grande Trovão. Mesmo sem pássaro de fogo, vencerá luta. Tens o espírito dos antigos guerreiros! – sentencia, o abraçando.

O major, devidamente paramentado, reflete sobre as palavras do líder da tribo e se concentra para o combate. Vai em direção ao truculento campeão indígena, que é bem mais alto e forte do que ele.

Em volta do grande terreiro, estavam reunidas vários índios de diferentes tribos. Eles observam com reverência o grande acontecimento. E o desafio está lançado: o jovem herói dos índios, major Vitã, contra um forte guerreiro invicto há tempos. Marisa, com a pequena Dani nos braços, começa a ficar nervosa com aquela cena.

A luta começa. O bom major é agarrado rapidamente pelo indígena, que lhe aperta os ossos do braço com demasiada pressão.

- É isso aí! Vamos nessa, seu rolo compressor! – diz ele em tom sarcástico, tentando se livrar do primeiro golpe.

Vitã tenta disfarçar a dor em vão. Logo não consegue, deixando transparecer em sua face sinais de agonia.

- Meu Deus! Tenha cuidado, Vitã! - exclama Marisa, quase em pânico.

- Vai, tio! O senhor vai conseguir! - grita a pequena Daniela, se levantando e pulando no colo da mãe.

Vitã se esforça e se livra momentaneamente do golpe, mas sofre uma nova investida. Eles se atracam ferozmente e, após alguns minutos, Vitã recebe uma resposta poderosa. O índio adversário imobiliza seu antebraço e a coxa, deixando-o desequilibrado. Ele então cai de joelhos no barro batido.

As fêmeas da tribo admiram a força daquele campeão invicto. Vitã, já enfraquecido, se levanta e tenta investir novamente contra o grandalhão que, mais uma vez, o imobiliza. Arrasta o major de um lado para o outro, forçando-o ao chão.
Vitã, de joelhos, muito fatigado, quase caindo, lembra o que o cacique lhe falou. Ele entende que mesmo sem seus equipamentos especiais, teria que achar força em seu interior para vencer aquela insana luta.

Após esta pequena concentração, ele apela para o que restou de sua energia, pensando em não desapontar as pessoas à sua volta. Consegue, cambaleante, ficar de pé mais uma vez. Os índios guerreiros sacodem seus arcos e urram ao ver Vitã se levantando.

O truculento campeão parte em sua direção para vencê-lo, pois já sabia que seria fácil a vitória. Antes, porém, o major o surpreende, indo de encontro ao índio. Eles se chocam e se golpeiam. O grande vencedor, com extrema força, tentar agarrar o major novamente. Porém, Vitã, de maneira ágil, gira em torno do índio, que fica perplexo com aquela investida. Vitã se aproveita da ocasião e trava a sua perna no joelho do campeão, e com uma das mãos segura o ombro esquerdo dele, forçando a sua queda. Sem perda de tempo, o agarra por trás, imobilizando-o com uma espécie de chave de braço. O indígena se debate em vão. Não conseguindo se livrar, sua única alternativa é se render ao Grande Trovão da Mata.

Todos os índios ali reunidos ficam impressionados com aquela cena. Ouve-se então uma explosão de alegria, com gritos e pulos. A tribo, em peso, atacava a plenos pulmões: “Trovão! Trovão! Trovão!”, comemorando a vitória do herói.

Marisa vai de encontro ao amigo, que está ofegante. Ele recebe um forte e sincero abraço e um romântico beijo nos lábios.

- Você está bem, titio ? – pergunta a pequena Daniela.
- Viu? É por isso que eu digo que é bom comer legumes... - aconselha Vitã, ao sentar-se exausto, amparando a garotinha.......


ESPÍRITOS DOS ANTIGOS (São apenas trechos dos capitulos)

As horas avançam rápido na grande floresta tropical, trazendo a noite em seu rastro. De dentro da grande maloca, a maioria dos indígenas observa as ações poderosas do velho pajé, que executa suas artes de cura. Ele recupera um jovem guerreiro, que acabara de lutar contra uma grande onça negra. Ele está com febre, devido aos ferimentos causados pelas garras do animal. Sua bastante e balbucia algumas palavras sem nexo.
O cacique, ao lado de Vitã e suas amigas, sempre soube que as orações e rezas do curandeiro nunca falharam, mesmo em momentos difíceis.

- Vitã, o que será que o pajé está falando para o índio? - indaga Marisa, com Daniela no colo.
- É difícil saber o que eles falam exatamente. As artes mágicas são só reveladas para seus discípulos, quando estão perto de morrer.

O jovem, deitado na rede e ainda suando muito, começa a tremer. O Pajé coloca algumas folhas dentro de uma pequena cuia e as esmaga, criando um grosso caldo esverdeado. O doente bebe a poção com dificuldade, recebendo o auxílio do xamã.

De súbito, todos os presentes ao ritual de cura assistem a algo surpreendente. O guerreiro se senta na rede e, com olhos vidrados, olha para o cacique e para Vitã. O pajé percebe que o jovem quer dizer algo e se aproxima dele. Segura seu ramo de folhas e o balança, fazendo um tipo de prece. Acende seu charuto de ervas e solta bastante fumaça em volta do jovem indígena. Dentro da grande maloca, há um silêncio perturbador. O cacique acompanha tudo atenciosamente.

O jovem indígena, ainda sentado na rede, olha para o curandeiro e lhe dirige perguntas em dialeto nativo. Por alguns instantes, o ritual é interrompido. O pajé, preocupado, pede ao cacique para se aproximar.

- O que acontece, Yanã? Por que chamar cacique?
- Eu recebi informação dos antigos espíritos da mata através desse guerreiro - diz o xamã, que faz o jovem se deitar na rede.

O cacique, recebendo aquele aviso, recua e assume feição de espanto.

- O que antigos espíritos querem com esta tribo? – interroga Araripe, apertando o braço esquerdo do pajé.
- Antigos espíritos dizem que o coração da floresta será ameaçado e que guerreiros da grande árvore terão que lutar muito contra mal eterno.

Araripe escuta aqueles relatos e puxa Vitã para perto dele, a fim de que o major pudesse ouvir as palavras de Yanã.

- O que houve? – pergunta o major, meio espantado.
- Grande trovão! Espíritos do outro lado dizer que você terá combate grande. Proteja coração da floresta, ameaçada quando terceira lua vier.

A revelação do cacique deixa Vitã intrigado.


O jovem indígena, deitado na rede, pára de tremer e adormece com expressão suave em seu rosto.

- Terminei cura. O guerreiro ficará bom - anuncia o pajé, saindo da maloca.

Araripe também sai da maloca, sendo acompanhado pela tribo.

- O que houve, Vitã? Por que o cacique te chamou? - indaga Marisa, curiosa.
- Ele me passou uma informação esquisita.
- Sim...mas o que ele falou?? – pergunta, impaciente.
- Ele disse algo sobre proteger o coração da floresta, que será ameaçado... e que eu vou lutar muito para defender essas coisas fantásticas que eles sempre falam....Sei lá! Esse povo quando delira diz coisas incríveis! – disfarça rindo, tentando distrair a atenção da amiga.
- Será que é apenas fantasia deles ou será que devemos ouvir esses conselhos?
- Marisa, o que eles me disseram não é nenhuma novidade. Como você sabe, eu já luto para defender a Amazônia.
- Mamãe! Mamãe! Eu quero ir brincar! – implora a pequena Daniela, puxando o braço de Marisa.
- Já é tarde, Daniela! Está na hora de descansar.
- Mas mãe, eu queria brincar um pouco mais...
- Depois, depois, tá?

Telefone de Vitã toca, chamando sua atenção.

Vitã retira de sua cintura o aparelho e sua tela se expande, mostrando o rosto do tenente.

- Boa noite, major Vitã!
- Boa-noite, Nelson. O que houve?
- Senhor, o comandante pede sua presença para amanhã, às 11h40. Ele quer conversar a respeito de uma importante missão que surgiu.
- Diga a ele que já estou saindo da tribo. Vou descansar e amanhã estarei aí com certeza.
- Entendido, major.

A imagem do tenente desaparece. Vitã guarda o telefone no bolso.

- Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada de mais, Marisa. Apenas rotina.

O cacique se aproxima deles.

- Temos de ir embora agora, Araripe. Vou precisar descansar bastante para a nova missão.Tudo bem, Marisa?
- Sim. Então vou buscar Daniela.
- Venha comigo, Trovão! - fala o cacique, carregando o major para o canto da maloca.

Araripe lhe entrega um pequeno cordão, enfeitado com um símbolo que, na lingüagem indígena, representa os grandes guerreiros.

- Mas, cacique... isto é muito valioso!
- Trovão, você saber que é melhor de todos guerreiros.

Vitã se emociona com a atitude do chefe da tribo e, segurando o colar, o aperta firmemente de encontro a seu peito...



PRIMEIRO CONTATO (São apenas trechos dos capitulos)

Helena acabava de sair do banho com a toalha enrolada em seu corpo. Estava indo para o quarto, quando ouve a pronúncia sintetizada do sistema de segurança, alertando para a presença de uma pessoa do lado de fora. Ela olha para o estreito visor e vê um oficial de costas para a porta

- “Droga, mal descansei este final de semana e ainda tenho que me aprontar rápido para ir em reunião!” - pensa Helena, segurando a toalha.

Ela da um comando vocal e a porta eletrônica é suspendida. O oficial gira nos calcanhares e, ao olhar para Helena só de toalha, é como se levasse um duro golpe: fica estático com tamanha beleza e sensualidade.

- “Que mulher linda!”- exclama em pensamento.
- Pois não, o que deseja? Oi!!! O que deseja? - pergunta Helena, já meio impaciente com o estado hipnótico de Vitã.
- Se...senhora... Vim vim vim buscá-la – gagueja.
- Mas você é um major! Eu estava esperando algum soldado, como de costume. Por que te enviaram? – pergunta, meio irritada.
- Não sei, senhora - diz o major, que, neste momento, é invadido por uma satisfação plena.
- Vitã! É este o nome que estou lendo no seu uniforme?
- Sim, senhora – sorri, com olhos brilhantes.
- Você não é aquele oficial que apareceu no jornal A Esfera?
- Sim, sou eu.
- Eu vi que sua equipe derrotou alguns biopiratas dentro da floresta.
- Isso mesmo!
- Eu só acho que você foi muito violento com os inimigos. Ainda mais na frente das câmeras!
- Senhora, eu não poderia agir de outra forma naquele momento. Como é de vosso conhecimento, nossas missões dentro da Amazônia são de vida ou morte e naquele momento não tive escolha.
- Você deve ter razão, major. Eu não posso te julgar porque nunca participei destas missões em terra diretamente. Gostaria que me contasse depois esta história.
- Com todo prazer, senhora.
- Vitã, meu nome é Helena. E por favor, vamos deixar a “senhora” de lado. Fica melhor.
- Sim, Helena.

Vitã solta um largo sorriso.

- Helena... Gostei do seu nome. Você é linda!
- Que?
- “Droga, ainda tenho de aturar isso!”- reclama para si, ajeitando a toalha que insistia em escorregar.
- Major, entre, por favor! – diz, meio inquieta, e acrescenta:
- Eu vou colocar o uniforme. Fique à vontade.

Helena, meio sem graça, deixa o major na sala. Vitã, um pouco perturbado pela visão de beleza que acabara de ter, passeia pelo módulo, observando as obras de arte. Há esculturas e pinturas de beija-flores espalhadas por todos os cantos. Porém, a obra que lhe chama mais a atenção é um beija-flor de cristal localizado no corredor inferior da casa. O major continua a andar distraído, quando percebe que, ao final daquele corredor, a porta do quarto de Helena estava semi-aberta. Sem conter seus instintos, ele vai a frente e espia pela fresta e vê que Helena ainda estava nua.

- “Que deusa! Que corpo! Espero que não seja casada.. “– imagina, com ar de maledicência, ao olhar a major, que começara a se vestir.

No entanto, Vitã nem percebe que uma mini-câmera escondida estava lhe filmando. Sem perceber, sai sorrateiramente e satisfeito, indo em direção à sala. Alguns minutos se passam e Helena retorna.

- Major Vitã, já podemos ir. Já estou pronta.
- Perfeitamente.
- Ah, já ia me esquecendo. Não sei se vou voltar logo. Melhor deixar o sistema de segurança ligado – diz ela, pressionando sua digital na pequena tela na parede, que se ilumina.
- Sistema de segurança, fique alerta! Não sei quando vou voltar – instrui pela voz.
- Senhora Helena, registrei em meus arquivos um homem andando pelos setores não autorizados da casa.
- Que? Quando foi isso? No sábado?
- Não, senhora. O registro ocorreu há dez minutos.
- Me mostre, sistema.
- Sim, senhora.

Nas imagens arquivadas, a audácia do libidinoso major é revelada e provoca a fúria de Helena.

- Major, venha até aqui. Gostaria de lhe mostrar uma coisa.
- Pois não.

Vitã, como se fosse o mais inocente dos mortais, acompanha a major e rapidamente tem a sua face desfigurada por uma expressão de espanto.

- O que significa isto, major? Por que estava me olhando? É algum tipo de brincadeira de mau gosto? Explique-se, vamos!

Vitã fica paralisado ao ver as provas do “crime” e não sabe o que dizer.

- Não! Mas...Não! Mas...Não!
- Não o que, major? Você é mesmo um pervertido! Que decepção! Venha, vamos embora! – ataca, empurrando Vitã violentamente, já saindo da casa.
- “Que vacilo! Como não vi essa maldita câmera?” – pensa, ouvindo uma série de xingamentos e pragas de uma Major possessa.
- Me ouça, Helena, eu posso explicar! – intervém, tentando segurar com força o braço da major, para impedir que ela continuasse a andar em ritmo nervoso.
- Não precisa explicar nada! Qualquer tipo de explicação agora só vai piorar sua situação! Vamos esquecer o assunto! Não quero me aborrecer! – blasfema, encarando Vitã com rancor.....





SAINDO DA BASE (São apenas trechos dos capitulos)

A reluzente aeronave dá uma pequena guinada e mergulha velozmente em direção à floresta, retornando ao ponto do Lago Badajós onde foi localizado o reflorestador, e finaliza a sua rota, flutuando sob a copa das árvores.

- Senhores, chegamos. Este é o ponto alvo – indica SIB.
- Perfeito. Descerei já – informa Vitã, colocando seu capacete.
- Eu te acompanho, major.
- Helena, pode ser perigoso. Acho melhor você ficar.
- Agradeço sua preocupação, mas prefiro ir. Não se esqueça de que isto também faz parte do meu trabalho.
- Certo, então vamos – “Essa mulher é fantástica!” – conclui o major em pensamento.

A escotilha debaixo da aeronave se abre e os majores conectam finos cabos a seus trajes.

- SIB, iniciar descida! - ordena Vitã.

Pendurados por resistentes cabos translúcidos, os oficiais, antes de atingirem o solo, passam por entre folhas e galhos de milenares árvores da antiga floresta Amazônica. Ao concluírem a descida, desconectam os cabos.

- SIB, me dê as coordenadas – pede Vitã, através de seu comunicador.
- A vibração da máquina está vindo a 200 metros deste local - registra SIB, passando todos os dados para os sistemas instalados nos capacetes dos oficiais.

Logo, as informações se tornam disponíveis para leitura no visor do acessório high-tec. Tomando conhecimento das coordenadas, os majores caminham mata adentro. O mau tempo escurece o cenário. Após alguns instantes, chegam a uma clareira, e eis que avistam a intrigante máquina.

- UN1, ativar multianalisador. Gere relatório desse equipamento – ordena Vitã ao neuroprograma de seu traje.

O écran do capacete de Vitã é acionado, mostrando vários dados em forma de gráficos.

- Major, o reflorestador está desligado e em ótimo estado de funcionamento. Não há marcas digitais em seus mecanismos. O registro indica que ferramentas foram usadas na estrutura. O aparelho foi desmontado. A parte de microrobótica e os neuroligamentos foram recompostos fielmente - informa UN1, com voz sintética.
- “Droga! Acho que esses malditos estão interessados em nossa tecnologia” – imagina Vitã, olhando para o aparelho.
- Major, descobri vestígios que saem da clareira.- informa helena também enxergando dados em seu écran - Vou seguir estas pistas – resolve Helena, com ar sério
- Certo. Mas tenha cuidado!

Helena acena concordando com Vitã e segue adiante por entre a úmida e densa floresta. Enquanto o major faz uma detalhada pesquisa no aracnídeo, alguns minutos se passam e Helena continua caminhando dentro da mata, utilizando com freqüência a visão artificial de seu écran. Analisava tudo a sua volta.

- Senhora, não há nenhum tipo de radiação. O oxigênio está intacto. Eu não sinto presença de química alguma ou poluentes. Não percebo nenhum sinal de depredações. Mas, espere...
- O que houve, UN2?
- Meus sensores estão informando que há um mecanismo a 10 metros daqui, de material molecular desconhecido. Há também o registro de uma estranha fonte de energia em volta desse mecanismo. Dados totalizados – responde o sistema.

Ao ouvir aquilo, Helena, sem perda de tempo, corre e chega ao local indicado por seu aparelho. Ela percebe que o mecanismo em questão era uma aeronave - o mesmo veículo com forma de inseto que observou nas gravações e que naquele momento aparentava ter sofrido uma queda. Preocupada, Helena entra em contato com Vitã, através do comunicador no capacete.

- Major, por favor, venha até aqui! Preciso de seu apoio! Meu identificador localizou uma aeronave caída! Venha, por favor! Temos que.....

Porém, antes que Helena pudesse concluir o pedido, o major intervém, nervoso:

- Major, venha rápido! Preciso de ajuda! Urgente! Venha agora! Venha! Há uma enorme forma orgânica se movendo por entre as árvores. Meu sistema está confuso e não consegue classificar o organismo! Venha logo!

O major pára de falar e escuta o barulho das pisadas dentro da mata. Um vulto gigantesco se aproxima lentamente por trás da escurecida floresta, espantando os pássaros ao redor. A coisa se protege pelo nevoeiro do inverno.

Vitã pede mais uma vez auxílio ao neuroprograma de seu uniforme de trabalho, mas o equipamento desconhece o fato. Então, algo terrível acontece: a forma salta com grande força, saindo do breu da mata e seu corpo bestial entra na clareira. O major, neste momento, consegue enxergar toda a extensão do terror. A fera é uma espécie de bípede. Seu corpo descomunal lembra uma mistura de felino com primata. Uma gosma repugnante escorre de sua boca. Vitã fica estarrecido perante aquela visão.

- “Meu Deus! De onde este monstro deve ter vindo?? Parece um demônio!” – pensa, olhando de longe para a aberração com mais de dois metros de altura.

A besta fareja o ar e emite um ruído grotesco. Olha para o major e posiciona suas patas de trás no solo. Pernas anormais se retraem. A fera então dispara e corre em direção ao oficial que, sentindo o perigo de perto, vocifera:

- Retaliador!!!!

Em um lapso de segundo, a arma, obedecendo ao comando vocal, gera um pequeno ruído mecânico e se destrava do coldre eletrônico, informando:

- Configuração ativa!

O major, sem perda de tempo, agarra a arma e aponta em direção à fera, que se aproxima em disparada . De seu artefato bélico, sai um reluzente mini-projétil de plasma, que voa de encontro ao monstro. No entanto, o ser bestial se esquiva do ataque, com um movimento incompreensível. O plasma acerta apenas de raspão sua pata esquerda. O animal se torna ainda mas violento: pára a uns 20 metros do major - berrando - e lambe sua ferida nervosamente babando.

Vitã observa aquela absurda ação e fica espantado. Ele pressente que o poderoso monstro fará um novo ataque. Sem opção, deflagra sua arma mais uma vez. A fera capta o movimento do major e se esquiva antecipadamente, agora com sucesso. Em frações de segundos, ela se desloca, indo para cima do major. Vitã, se sentindo encurralado, ordena em voz alta:

- Revestimento!!!
Num milésimo de segundo, o sistema de seu traje força o minigerador a dar carga máxima nas ventosas eletrônicas e camadas de íons são expelidas por elas, dando forma uma super-resistente armadura de energia translúcida. A fera, já muito perto do major, impede que ele faça novo disparo. Esbanjando ódio, o ser animalesco, com um estranho movimento, ataca o major com um golpe de pata. Uma força tamanha atinge Vitã. Seu corpo é arremessado a quase 15 metros daquele local. Ele vai ao solo, com o ventre voltado para a terra, totalmente nocauteado e, graças à sua formidável armadura de energia, escapa de ser dilacerado pelo monstro.

- “Se eu não agir rapidamente, será o meu fim! “- conclui para si, ofegante tentando levantar.

A besta, aproveitando-se da ocasião, dá um pulo para atingir as costas de Vitã e ele, forçosamente, tenta se virar, mas em vão: a fera já estava muito próxima em seu vôo mortal. Porém, antes de um milésimo de segundo, algo mágico acontece: uma espetacular e diminuta esfera azulada sai de dentro da escura floresta, acertando o mostro em pleno ar, que cai urrando, impulsionado para trás. Vitã não entende o que se passa.

Helena, olhando para a fera caída, percebe que seu disparo foi mesmo fatal. Diante daquele cenário terrível, ela corre para socorrer o major Vitã, que desmaia...



TRIBO EM CHAMAS (São apenas trechos dos capitulos)


O céu escuro e ameaçador fica para trás, junto ao temporal. A aeronave se desvia corretamente daquela tempestade tropical. Helena, em seu posto, acaba de receber informações do Centro de Biotecnologia e observa Vitã adormecido. O vôo prossegue. SIB acabava de sair da coluna de chuva, quando avista algo e alerta a major.

- O que houve?
- Major Helena, meus sensores captaram um grande foco de fumaça saindo da floresta, a poucas milhas daqui, na tribo Miranha.
- Ah, não! Mais um problema! – reclama, já acordando o major, que abre os olhos, sonolento.
- O que houve, Helena? Já chegamos? – pergunta, ainda embriagado de sono e coçando a cabeça.
- Não...Estamos perto. Desculpe te acordar, mas é que surgiu um novo imprevisto.
- Qual o problema desta vez?
- O sistema da aeronave detectou fumaça saindo da reserva indígena de Miratu, a algumas milhas à frente.
- Na tribo Miranha?- pergunta, tentando se recompor.
- Sim, isso mesmo.

Vitã fica preocupado com o novo alerta e coloca o capacete.

- Não temos escolha, Helena. Teremos de averiguar. Quero saber se estão todos bem.
- Certo. SIB, nos leve para cima do foco da fumaça.
- Ordem recebida, senhor. Mudando a rota.

A reluzente máquina dá um mergulho espetacular, voando em direção ao incidente.

- Helena, como foi o contato com o chefe de Biotecnologia. Ele já passou dados?
- Acabei de receber informações. Você não vai acreditar no que eles descobriram...
- Me fale!

Helena inicia o relato, para a surpresa de Vitã, que fica espantado. A nave se aproxima do incêndio.

- Quer dizer então que algum maluco descobriu como misturar as raças...
- É, Vitã. Alguns cientistas, não satisfeitos em criar apenas transgênicos de vegetais, estão gerando novas formas de vida, utilizando genes humanos.

A aeronave chega finalmente a seu destino. Os oficiais avistam a enorme muralha de fumaça.

- Meu Deus! Helena, Realmente a fumaça vem da tribo!
- Tem razão, major. As coordenadas confirmam. Tribo Miranha – conclui, analisando os gráficos e dados que giram em uma pequena tela projetada à sua frente.
- Melhor avisarmos o comando, major.
- Espere! O importante agora é checar o local! Não temos muito tempo. Há vidas em jogo lá embaixo!
- Correto.
- SIB, pouse no terreiro da tribo e acione o modo de vigilância. Vamos descer!

A nave se aproxima do local, dando um rápido giro. Expõe suas armas de defesa e, diminuindo a velocidade, atravessa a densa cortina de fumaça. Por fim, pousa verticalmente na aldeia destruída. Os oficiais desembarcam armados.

O cenário é desolador: há destruição por toda parte. Malocas pegam fogo e corpos de índios quedam estirados em meio às chamas. O terror impera na terra indígena de Miratu. Gemidos são ouvidos por entre cadáveres carbonizados.

- Meu Deus!!! Como isso foi acontecer??? Por que ninguém nos avisou a tempo? É um pesadelo, não estou acreditando! Meus Deus! – alardeia Vitã, com os nervos à flor da pele.

Armado, caminha cambaleante de um lado para o outro, visivelmente abalado e chutando pedaços de madeira queimada.

- Calma! Fique calmo, major! Como poderemos resolver este problema se você fica descontrolado? Precisamos pensar numa saída!
- Eu sei, Helena, mas é difícil não ficar sensibilizado! Ninguém poderia ter feito isto com este povo! Eu quero descobrir o responsável por essa tragédia!

SIB, flutuando por cima dos oficiais em modo de vigilância, dá um giro considerável em seu eixo e aponta uma de suas armas em determinada posição dentro da floresta, avisando rapidamente os tripulantes sobre uma ocorrência.

Pela viseira eletrônica, Vitã reconhece algumas pessoas naquele quadrante que se aproximam lentamente.

- SIB, retorne à vigilância! Estes humanos são meus amigos – ordena o major.

A aeronave volta à sua posição inicial, rastreando a região. De dentro da mata sai um grupo indefeso: um velho indígena carrega o pequeno curumim em seu colo, e uma anciã os segue, puxando uma outra criança. Vitã percebe que eles estão bastante machucados.

- SIB, hora de aterrissar. Precisaremos de você.

A aeronave baixa seu trem de pouso e desce em sentido vertical no terreiro.

- Trovão da Mata! Trovão da Mata! Grande Trovão da Mata! – exclama a velha índia.

Os habitantes da aldeia ficam felizes em ver o major e o abraçam. O nativo, estarrecido, completamente em estado de choque, e com os olhos arregalados, agarra Vitã e se comunica em português arrastado.

- Mapinguary!!! Mapinguary!!! Mapinguary!!!
- O que ele está falando, Vitã? – indaga Helena, com curiosidade.
- Ele se refere a uma lenda antiga da floresta, sobre um monstro que aterrorizava seus antepassados, que flecha nenhuma podia atravessar e que nenhum guerreiro armado conseguia vencer. Todos aqui conhecem essa história.
- Grande Tupã trazer você, Trovão, para salvar nossa tribo e proteger crianças.
- Fique tranqüilo! Vou ajudar vocês. Quero saber o que aconteceu por aqui. Venha, vamos entrar no pássaro de metal.
- Sim, Trovão! Eu entrar em grande pássaro!

Helena segura o curumim no colo e ampara a índia. Vitã e o nativo vão à frente. Já dentro da nave, os majores começam a prestar os primeiros socorros.

- SIB, movimento ascendente, em modo de vigilância – comanda Vitã.

A nave sobe progressivamente e fica estática sob a tribo, a alguns metros. Os visitantes, curiosos, observam tudo com atenção e um certo temor. O curumim sorri, vendo as luzes do console piscando. A anciã e o homem se acalmam. Helena repara os ferimentos das vítimas do fogo...




O índio, já demonstrando sinais de sofrimento e dor, serra os olhos. Sabia que a ajuda estava próxima. Porém, resolve agir, mesmo correndo risco de vida. Começa a pronunciar algumas palavras nativas indecifráveis e encosta a palma de sua mão esquerda nas costas do inimigo. O antropólogo resolve então aplicar um golpe muito mais forte, e o pajé vai ao chão.

Nesse momento, ocorre um fato curioso: o pesquisador começa a sentir um caroço crescer em suas costas. Atônito, tenta se livrar daquilo, se coçando com furor.

- Desgraçado!!! Que diabo é isso? Esta merda parece um caroço! Tire isso de mim!

A magia obteve êxito. O impostor não contava com aquilo. A protuberância ardia como ácido cortando a pele e abria-se em ferida. Naquela hora, o enfeitiçado parecia estar ficando enlouquecido. Gira, babando e com os olhos revirados, de um lado para o outro, tentando se livrar do mal. Subitamente, solta as algemas que lhe prendiam ao pajé para se livrar com mais facilidade daquela feitiçaria. Tenta com as duas mãos e corre, aos gritos e alucinado, pela mata. Mas o caroço e a ferida pareciam aumentar cada vez. Por um momento, o pesquisador assume uma desfigurada expressão de horror. Uivando como lobo, presencia um fenômeno bestial: de suas costas, em meio ao tecido já apodrecido, emerge uma espécie de ovo que se rompe, liberando um imenso papagaio vermelho. Berrando, como um louco e sem nada entender, corre em direção ao rio, com o pássaro de olhos terríveis agarrado a si. Ainda com medo do inimigo, e completamente transtornado, olha várias vezes para trás, sem perceber que caminhava para uma grande queda de cachoeira.
Quando o falso antropólogo vira-se para frente, enxerga a razão de seus temores: a morte o abraça. A queda no precipício é inevitável. Na velocidade das águas, seu corpo se espatifa nas rochas.

Vitã tenta achar o terrível líder na floresta, mas descobre...




- conquistas. Isso que me faz muito feliz! Nada é mais importante que isso – afirma, disfarçando seu cinismo.
- Bem, há muitas coisas a serem explicadas por nossos principais pesquisadores e cientistas em Abisinia. Precisamos nos apressar.
- Sim, meu amo. Com sua permissão, gostaria de aprontar as aeronaves para recebê-los.
- Perfeito. Temos que sair logo daqui. Quero chegar o quanto antes ao templo subterrâneo na Colômbia.
- Posso me retirar, majestade?
- Sim. Muito obrigado.

Balançando sua longa capa azul, o Quarto conselheiro dá um giro e, com passadas firmes e rápidas, se retira da sala do trono, passando pelo imenso portal que se abre com o sistema inteligente do robô de três metros.




BASE INIMIGA (São apenas trechos dos capitulos)

Com os multifuzis em punho, os oficiais se emaranham mata adentro e seguem a orientação do rastreador de bioformas. Atravessam a floresta fechada, desviam-se dos galhos e pulam pedras. O major, conferindo os gráficos virtuias, percebe que dois vultos humanos param momentaneamente e sentam-se em troncos caídos.

- Helena, eles estão há 40 metros daqui. Podemos surpreendê-los antes que se levantem.
- Mas se isso for uma armadilha?
- Já pensei nessa possibilidade. Vamos fazer o seguinte: você vai por trás e dá cobertura, fica me esperando. Eu confronto os inimigos. Se eles tentarem reagir, você ataca, certo?
- Positivo – concorda Helena.
- Então vamos. Temos de pegá-los agora, antes que resolvam agir.

Helena, estudando a posição dos corpos com ajuda de sua tela, segue armada por trás deles. Para isso, evolui, estrategicamente, numa volta cautelosa em meio à floresta. Vitã vai para o lado oposto, se preparando para dar o bote nos incautos seres humanos. Alguns segundos se passam, e Helena se aproxima sorrateiramente dos indivíduos, pela retaguarda.

Vitã, percebendo a posição da major, não pensa duas vezes: corre e dá um salto com arma em punho, pegando de surpresa os intrusos, dentro de uma pequena clareira. No entanto, o oficial tem uma estranha visão: nota que os seres que estavam sentados ali eram apenas jovens esfarrapados. Apavorados com o ato do major, os garotos fogem em disparada.

- Calma! Calma! Esperem aí! – grita Vitã, tentando alcançá-los.

Os jovens fogem com expressão de horror em suas faces, e mergulham na mata fechada. Porém, são surpreendidos pela major Helena, que montava tocaia. Novamente, recuam muito espantados, mas avistam Vitã se aproximando. Estavam encurralados. Sem opção, um dos maltrapilhos cata uma pedra no chão e ameaça investir contra o major. O outro, tentando ajudar seu companheiro, parte para cima de Helena, arremessando um pesado galho de árvore.

- Calma, rapazes! Não vamos fazer nada com vocês! – esclarece a oficial, se defendendo do fraco golpe do garoto.

Vitã arranca a pedra da mão do jovem que iria atacá-lo, tenta imobilizá-lo, mas ele gira para se esquivar e morde a mão do major. Ouve-se um berro de dor. O oficial empurra o garoto ao chão. Helena, por sua vez, agarra os dois braços do outro jovem e os coloca para trás, impedindo seus movimentos um tanto bruscos.

O jovem caído se ergue e foge rapidamente de Vitã.

- Esses meninos têm disposição! - reage Helena, ao se esforçar para manter imobilizado seu prisioneiro, que berra e esperneia em desespero.
- Calma, rapaz! Muita calma! Nós não vamos te fazer mal! – avisa Vitã, através do tradutor de seu capacete, e repousando seu multifuzil sobre a terra, em sinal de confiança.
- Veja, nós não vamos fazer nada com você! Só queremos saber por quê você está aqui! – diz o major, erguendo as mãos vazias para o alto.

O garoto olha para Vitã e para de se debater.



- Olha, vou pedir à minha amiga para te soltar. Assim poderemos conversar, certo? Só queremos saber o que está acontecendo aqui, entendido?

O maltrapilho consente, balançando a cabeça. Os oficiais ficam bem próximo dele. Helena solta o rapaz que, sem hesitação, tenta fugir novamente dando um pulo. Porém, a major volta a agarrá-lo, dessa vez segurando sua roupa. Ele se desespera outra vez.

- Eu já disse para ter calma, rapaz! Não fique com medo. Não vamos te fazer mal algum. Só quero saber seu nome – diz Vitã.
- O nome dele é Grispin! Larguem ele por favor! – berra, em língua espanhola, o outro rapaz que tinha fugido, e que acabara de sair da mata.

Os oficiais olham para o jovem, que corre para perto de seu companheiro.

- Tudo bem! Agora me diga como vieram parar nessa floresta. O que fazem aqui? – indaga o major falando espanhol através do tradutor de seu capacete.

Os garotos ainda ensaiavam uma nova fuga.

- Por favor! Pela última vez eu lhes digo! Não fiquem com medo! Não vamos fazer mal! Somos oficiais da Amazônia brasileira. Viemos aqui para investigar esse lugar! – Realça Helena também usando o tradutor de seu capacete.

Desconfiados, os jovens vistoriam detalhadamente o casal e se entreolham. Estavam sujos, com arranhões. Pareciam mendigos. Após alguns segundos, o que parecia ser o mais velho resolve falar:
- Parece que vocês dizem a verdade. Seus trajes de oficiais são diferentes dos que conhecemos. Meu nome e Bartolo e meu irmão se chama Grispin - diz o garoto, que tem sua fala traduzida através do equipamento dos oficiais.
- Bartolo, eu nunca vi mulher com roupa de homem! – comenta Grispin.
- Onde vocês estavam? Como vieram parar aqui? – pergunta Vitã
- Nós escapamos do inferno, senhor! E não podemos trazer nosso pai de volta. Ele ficou para ser sacrificado! Os monstros vão comer sua carne!

Os oficiais ficam intrigados com aquela revelação.

- Esperem aí! Nos explique direito isso. Venham cá. Vamos nos sentar. Vocês parecem muito cansados... – observa Helena.

Os majores recuam, se acomodam em cima de um tronco caído e colocam suas armas de lado. Os irmãos, sentam-se em uma pedra à frente deles.

- Bartolo, me fale deste inferno. De onde você escapou? – indaga Vitã, curioso.

O garoto olha para Grispin, que balança a cabeça, em sinal de acordo. Respirando fundo, Bartolo inicia:

- Senhor, há poucas horas nós saímos da terra, fugimos do mal.
- Como assim? - Helena fica intrigada.
- Senhora, nós fingimos estar mortos para escapar da caverna de fogo. Fugimos do campo da morte, onde os monstros matam e comem as pessoas.

Vitã e Helena ficam confusos com os detalhes aparentemente sem nexo.

- Bartolo, tente nos explicar desde o começo. Não estamos entendendo nada do que disse até agora. Que caverna de fogo é essa? Que arena é essa? Nos conte tudo desde o começo.
- Eu conto, mas se prometerem que vão nos ajudar. Nós fugimos do inferno para pedir ajuda. Precisamos salvar nosso pai. Vocês vão ajudar?

Helena encara Vitã, preocupada, e o chama para o canto para uma conversa reservada...




(Trechos aleatórios)




..Nesse momento, ela se deitou a meu lado e começou a me beijar e acariciar. Apesar de tudo, eu agora tinha um sentimento de gratidão por aquela mulher. Afinal, ela me curou e salvou a minha vida na hora certa. Além do mais, há um bom tempo estava sentindo falta do carinho e do perfume dela. Me deixei levar por seus afagos, e a tive em meus braços durante toda a noite.
Enrolada em tecido fino, me beijou novamente, sorrindo, e se levantou ao amanhecer. Seus cabelos negros estavam soltos, tornando-a mais bela. Se aproximou de um pequeno baú de madeira negra, mexeu em seu conteúdo como se procurasse algo, e de lá retirou uma jóia: um largo anel de ouro contendo um estranho desenho. Depois, me entregou a peça que, pelo seu formato, percebi tratar-se de algo raro como nunca tinha visto antes: uma espécie de águia dourada que segurava em suas garras duas enormes pedras preciosas. Confesso que vi o anel de metal supremo e fiquei encantado. As penas da águia eram feitas com detalhes em lápis-lazúli, produzindo um efeito resplandescente e sedutor. As gemas tinham duas cores: uma era azul brilhante e a outra branca. Nunca havia presenciado tamanho brilho em minhas mãos.
- Qual a finalidade desta jóia, Magirim? E por que me entregou? Não sou mais um guerreiro seu e nem matei homens para ganhar este prêmio – disse, já encaixando o anel em meu dedo.
- Zargal, peço que aceite este presente como sinal de nossa união. Esqueça a compradora de guerreiros. Me aceite como a mulher que te ama e que fará tudo para te agradar novamente – afirmou, novamente me cobrindo de beijos....





Inconformado, ainda tentava me acertar com patadas e socos. A força dos golpes sobre a terra era medonha. Com agilidade, desviava dos ataques. Quando começou a perder muito sangue negro, a fera desistiu de me perseguir. Parou por instantes e se virou para ver suas chagas. Foi quando viu o rei desfalecido. Maliciosamente, começou a caminhar no intuito de atingir Huresh.
Senti que o ciclope, para se vingar, iria esmagar o rei ainda desacordado. Aquilo era mesmo uma covardia, o que aumentou ainda mais minha ira. Nervoso, corri mais rápido que o gigante e logo me aproximei de Huresh. Balancei seu corpo, tentando acordá-lo, mas não consegui. A besta bufava enfurecida, e vinha lentamente em nossa direção. Levantei o corpo do rei e tentei correr, o carregando nas costas. Esse foi justamente o meu erro: enquanto tentava erguê-lo, o ciclope, de longe, deu um salto e, com as suas garras, partiu para cima de nós. Quanto a mim, poderia saltar e tentar escapar. Mas como ficaria Huresh?
Com coragem, decidi permanecer ali e acompanhar meu irmão para além da vida. O corpo da besta, em seu vôo ameaçador, bloqueava a luz do sol. Sua sombra nos envolvia. A morte era inevitável.
Mas nem tudo estava perdido. Repentinamente, me veio à cabeça a figura de Magirim e seu recado. Ela havia me avisado que, em caso de perigo fatal, eu deveria pronunciar o nome inscrito no anel mágico. Sem perda de tempo, apontei o pequeno aro brilhante em direção à besta e bradei:
- Xalasiam!!!!!!
Naquele exato momento que o monstro ia nos massacrar, algo incrível aconteceu: um vento tempestuoso com a fúria de um furacão veio em nosso auxilio. A coluna poderosa de ar em movimento se chocou contra o ciclope e o arremessou a dezenas de metros de onde estávamos. A fera rodopiou agonizante, até cair no solo, provocando um barulho ensurdecedor.
Numa última tentativa, tentei despertar o rei. Não queria acreditar que tivesse morrido. Balancei seu corpo mais uma vez e notei que ainda respirava. Foi quando bati algumas vezes em sua face. Para minha felicidade, começava a recobrar os sentidos! Cambaleante, se levantou com tonteiras. Apoiado em meus ombros, reclamava de forte dor de cabeça. Aos poucos foi percebendo o que havia acontecido. Por fim, arriscou-se a falar:
- Zargal, isso é incrível! Nada aconteceu comigo! Estou vivo! Alguma força externa deve ter me ajudado durante a queda! Senti meu corpo leve ao tocar o chão. E o que aconteceu ao monstro?
Majestade depois explico melhor....

Um comentário:

Ivair Antonio Gomes disse...

olá amigo, vim conhecer um pouco da sua arte,no entanto fiquei meio que perdido...os nomes são estrangeiros, e tem até um tal de imperador...seria ficção científica futurista? faltou esse detalhe...que tal colocar um pouco mais de descrição...o texto parece bacana, prende a gente, parabéns...